Ilhabela esgotada de esgoto ?

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Ilhabela tem apenas uma praia própria para banho de mar, 18 das 19 praias foram classificadas como impróprias para o banho de mar

Com a cidade lotada por causa das férias de verão, saltando dos 35 mil moradores fixos para cerca de 120 mil turistas, Ilhabela vê suas praias, principais atrativos turísticos do arquipélago, cada vez mais poluídas. A tendência vem sendo registrada desde meados de dezembro passado, quando começou a temporada de verão.

Instituto Ilhabela Sustentável publica matéria saído nas mídias do Brasil.

Acesso a matéria da Folha de São Paulo

O ápice do problema da falta de investimentos em saneamento básico na cidade foi registrado nesta semana, quando a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) classificou 18 das 19 praias analisadas como impróprias para o banho de mar. Na última avaliação, feita em dezembro, eram seis praias sem condições para o banho de mar. Apenas a praia do Pinto, ao norte do arquipélago, recebeu bandeira verde nesta semana.

De acordo com a Cetesb, mais de metade das praias de Ilhabela foi considerada imprópria para o banho ao longo de quatro semanas em 2018, distribuídas nos meses de fevereiro, novembro e a lista aumentou agora, entre dezembro e janeiro, períodos que coincidem com o aumento da população devido a chegada dos turistas. A bandeira vermelha é hasteada quando o órgão encontra alta concentração de poluição fecal nos pontos de coleta.

Entre as praias afetadas, estão as badaladas e mais procuradas, como Curral, Feiticeira e Ilha das Cabras, ao sul, e Saco da Capela, na região central, as mais procuradas por turistas brasileiros e estrangeiros que desembarcam na ilha por meio de transatlânticos. A poluição do mar por esgoto afetou também as praias do Portinho e Veloso, que estão inseridas dentro de um santuário ecológico marinho.

A situação, porém, se repete nas demais cidades do litoral norte, que têm, juntas, 48 praias impróprias, ante 29 na última avaliação, em dezembro.

Mesmo o esgoto coletado não recebe o tratamento indicado. No balneário, os rejeitos passam apenas pela primeira de três fases de tratamento e retira somente os resíduos sólidos mais grosseiros, como fraldas e absorventes. O restante recebe cloro e é jogado na água do mar por emissário submarino localizado a cerca de 800 metros da praia de Itaquanduba, no norte da ilha. “O esgoto produzido por 25 mil pessoas é lançado no oceano sem tratamento”, diz Gilda Nunes, coordenadora do instituto Ilhabela Sustentável.

A ocupação desordenada de morros e áreas de conservação ambiental é mais um obstáculo para o sistema de saneamento. Com população estimada em 34.333 habitantes, o arquipélago registrou crescimento de 21,7% nos últimos oito anos, quase o dobro do crescimento demográfico calculado na capital paulista, por exemplo, que foi de 8% no mesmo período.

Dinheiro não falta para as obras de saneamento. A Prefeitura de Ilhabela tem autorização desde 2017 para destinar 10% dos royalties adquiridos com a exploração do petróleo para o tratamento de água e esgoto. Em 2018, esse percentual representou R$ 40 milhões, contra R$ 4 milhões praticados em orçamentos anteriores, mas apenas R$ 7 milhões foram gastos até dezembro em obras de extensão da rede coletora.

De acordo com a Cetesb, o contato com a água do mar avaliada como imprópria expõe o banhista a bactérias, vírus e protozoários que podem transmitir doenças como gastroenterite e hepatite A. Pessoas com imunidade frágil, como crianças e idosos, correm risco de contrair variações mais agressivas dessas doenças e, portanto, devem redobrar os cuidados.

2 COMENTÁRIOS

  1. É uma pena que o saneamento receba tão pouca atenção no Brasil e principalmente em um santuário como Ilhabela. Já passou da hora de tomarmos posições mais ativas para exigir que nossos representantes planejem e executem as ações que possam reduzir esse atraso!

  2. Infelizmente constatei a poluição da água do mar em Ilhabela, no fim de semana próximo passado. Lugares tão lindos mas fedidos e expondo os banhistas às doenças. Os adultos jamais deveriam deixar seus filhos nestas àguas. Mas muira gente nem se importa. O que querem ė curtir a praia por um momento. Uma vergonha esta prefeitura!

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