Navio Professor W. Bernardes pode ou não pode ser afundado em Ilhabela ?

0
307
Navio Prof. W. Besnard
Navio Prof. W. Besnard

Nunca navegamos no navio Prof. W. Besnard, bem que gostaríamos. Aquilo não é um barco, é uma lenda náutica. O navio oceanográfico Prof. W. Besnard, foi batizado em homenagem ao Russo – Francês, Wladimir Besnard, cientista trazido ao Brasil pelos fundadores da USP para organizar e dirigir o Instituto Oceanográfico da USP em seus primeiros 14 anos.  Tarefa que executou com brilho. E o jornal A Folha do Litoral foi atrás desta lenda, desta estória, que querem afundar.

Navio Prof. W. Besnard é o nome correto. Na tiragem houve um erro de digitação, emitiremos uma errata, na Edição 144. Nossas sinceras desculpas.

Besnard desde sempre não abriu mão de um navio de pesquisas. Para dar forma ao modelo escolhido pela Universidade de São Paulo, definiram o estaleiro A/S Mjellem Karlsen, em Bergen, Noruega, a quem coube o projeto final da embarcação.

Navio foi entregue em 1967, já batizado em homenagem ao seu idealizador morto pouco antes, ele foi entregue e trazido para Santos. 23 anos navegando ininterruptamente, mais de 150 viagens, e 50 mil amostras de organismos marinhos, o Prof W Besnard navegou mais de 3.000 dias. Durante os primeiros 23 anos, o navio navegou sem interrupções! Só de Antártica ele acumula seis expedições. Ao todo, foram mais de 150 viagens! 68 diários de bordo para contar a história, ou mais de 50 mil amostras de organismos marinhos coletados, algumas não catalogadas até hoje.

Com a aproximação da aposentadoria, anunciada no início de 2016, o Prof. W. Besnard deixa de ser um simples navio. Torna-se um nostálgico capítulo, dos mais bonitos e importantes, de nossa história náutica.

Incêndio em 2008
Numa tarde de novembro de 2008, um incêndio irrompeu num dos camarotes do navio fundeado na Baía de Guanabara. Não houve vítimas, e os próprios tripulantes controlaram a situação. Mas o incêndio pôs o ponto final em sua história.

Mesmo assim ele continua vivo. De acordo com informações, e fotos de amigos que visitaram o Besnard recentemente, a casa de máquinas está em perfeito estado. Motores, geradores, tudo funcionando. E nem uma gota de água nos porões do navio.

 

O Besnard está na UTI, à espera que desliguem os aparelhos que o mantém vivo

Como demonstram as fotos, apesar da idade o “coração do Besnard”, a casa de máquinas, parece em bom estado apesar de, externamente, ele estar mal tratado.

 

 

As duas opções: um museu?
E esta, por acaso, não seria a melhor oportunidade para contar nossa bonita história na Antártica? Transformando o Besnard em museu flutuante o navio continuaria vivo, servindo o Brasil, ensinando às futuras gerações como foram nossos primeiros passos no ‘Continente Gelado’. Para aqueles que não se conformam com o destino do Besnard ainda há tempo para transforma-lo em Museu

Ou afunda-lo para se tornar atração submarina?
Para afundar, é preciso preparar o navio, limpa-lo por dentro, retirar uma série de peças, fazer um projeto, ter aprovação do EIA RIMA, etc. Há um protocolo internacional a ser seguido, providências que ainda não foram tomadas pela Prefeitura de Ilhabela.

Ilhabela tem 23 naufrágios naturais
Ilhabela já tem vários naufrágios naturais. Ao todos 23 navios afundaram na região. O mais famoso é o Príncipe de Asturias que naufragou em 1916, na Ponta do Boi. É um dos naufrágios mais emblemáticos do Brasil. Constantemente visitado por mergulhadores.

Navio foi doado à prefeitura da Ilhabela
Ainda durante o mandato do antigo prefeito, Toninho Colucci (2009 – 2016) o Prof. W. Besnard foi doado à prefeitura de Ilhabela. Mas nada aconteceu. Agora o “abacaxi” está com o novo prefeito, Márcio Tenório, que assumiu em 2017.

Município decide o futuro do Besnard
A prefeitura de Ilhabela deve decidir o impasse até o fim do ano. Vem aí nova audiência pública sobre o destino do Besnard. Mauro Oliveira, secretário de meio ambiente, pede pressa. Desde a doação, em 2016, Ilhabela gasta 50 mil por mês para mantê-lo no porto de Santos.

Fernando Liberalli, do Instituto do Mar, defende que ‘escola e museu seria uma solução mais abrangente’. O museu seria formado por objetos do próprio navio, relatos das viagens, equipamentos, etc.

Os custos da cada solução
Transforma-lo em museu não geraria custos à prefeitura. Seria patrocinado pela iniciativa privada, promessa do Instituto do Mar. O afundamento está orçado em R$ 2 milhões de reais. Para o secretário de meio ambiente, os valores não são problema: “queremos ter um navio com naufrágio controlado, que será importante para o turismo, se não for este providenciaremos outra embarcação.” O Instituto do Mar promete “viabilizar o licenciamento ambiental caso a prefeitura consiga outro navio.”

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Digite seu nome aqui